A Dura Realidade de Júlio e Sandra: Um Relato da Vida na Comunidade
Em uma noite, quando Júlio voltou para casa com a camisa ensanguentada após uma briga com rivais, Sandra perdeu a paciência.
— Júlio, cê quê ser como o Marcos? Quê roubar, matar e aterrorizar a vizinhança? — Ela segurava o ombro dele com força, mas Júlio desviou o olhar. — Ou passar o resto da vida preso igual nosso pai?
— Melhor do que viver sem nada, Sandra, — ele respondeu, com um olhar amargo. — Aqui nesse lugar o quê mais tem pra fazer?
Sandra, com o coração apertado, tentou mais uma vez alcançar o irmão com palavras de esperança.
— Júlio, você ainda é um menino, tem que estudar, jogar bola e escolher uma profissão. — Ela o abraçou com carinho na esperança de convencê-lo.
Mas Júlio, com muito ressentimento e ódio na voz, respondeu:
— Acorda, minha irmã, pra preto o único caminho é o crime!
Ele deu as costas para a irmã e saiu apressado, deixando Sandra com lágrimas nos olhos e uma sensação de impotência. A luta de Sandra para salvar seu irmão do destino que parecia inevitável era um reflexo da batalha diária enfrentada por muitas famílias na comunidade. A esperança de um futuro melhor era constantemente desafiada pela dura realidade das ruas.
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